Os melhores argumentos para doar

A seguir apresentamos o resultado de um concurso para encontrar os argumentos mais convincentes para doação.

Obs.: adaptamos levemente alguns dos argumentos para melhor se adequarem ao nosso contexto.

Argumento 1

Pense nisto por um momento: alguém que você conhece e gosta está de repente para trocar de lugar com um dos 2 bilhões de seres humanos vivos neste momento que não tem acesso a água potável limpa e não contaminada. Ou talvez com uma das 800 milhões de pessoas que não terão o que comer em algum momento deste ano. O que você faria para ajudar a essa pessoa que você conhece?

Talvez você pararia tudo o que estava fazendo e não descansaria até tê-la ajudado. Agora considere por um momento que você será incapaz de ajudá-la. Você espera que outros a ajudariam?

E se alguém fosse capaz de ajudar, tendo que contribuir com apenas alguns reais, mas não o fizesse?

Se você acha que deixar de ajudar nessa situação seria um erro, então peço que reflita sobre seu próprio comportamento. Você permitiria que outra pessoa suportasse estas condições simplesmente porque você não se preocupa em arcar com o custo de ajudá-la? Suspeito que você responderia “Não” a esta pergunta e, no entanto, eu lhe digo que você está permitindo que isso aconteça.

Todos os dias você tem a oportunidade de poupar uma pequena quantia de dinheiro para proporcionar a um companheiro humano o mesmo acesso básico à comida ou à água potável — com que freqüência você já fez isso? Para a maioria das pessoas, nosso acesso privilegiado à água limpa e à comida não foi nossa escolha, tivemos apenas a sorte de nascer no país certo no momento certo.

Podemos optar por estender esse privilégio. Estou tentando convencê-lo de que está em nosso poder ajudar e que, se as posições fossem invertidas, se você (ou alguém que você conhece) precisasse de ajuda e outros optassem por não ajudar, você os consideraria imorais. Você é, neste momento, capaz de muito facilmente ajudar outro ser humano. Considere o que você esperaria de outras pessoas quando tomar esta decisão.

Autor: Jesse Blackburn

Argumento 2

Imagine um botão vermelho Se você apertá-lo, duas coisas vão acontecer:
Primeiro, você receberá 100 reais.
Segundo, um sério risco de contrair malária será infligido a oito crianças. Elas podem contrair a doença, podem sofrer terrivelmente e podem morrer devido a ela. Você apertaria o botão vermelho?

Parece que apertar este botão seria excessivamente egoísta e cruel. Ao apertá-lo, você colocaria seu próprio interesse em receber 100 reais acima do interesse de quatro crianças em evitar o risco de contrair malária.

Agora, imagine que alguém ponha aleatoriamente 100 reais à sua frente. Você poderia pegar e ficar com o dinheiro, mas também lhe é oferecida a oportunidade de apertar um botão verde por 100 reais em seu lugar. Se você apertar o botão, quatro crianças serão salvas do risco de contrair malária. Mosquiteiros serão distribuídos a elas, por um custo total de 100 reais. Dormir sob mosquiteiros é uma forma altamente eficaz de prevenir infecções em regiões onde a malária está disseminada. Duas crianças podem dormir sob um mosquiteiro, e quatro mosquiteiros serão distribuídos por 100 reais. Assim, ao invés de manter os 100 reais, você pode usá-los para salvar oito crianças do risco da malária, apertando o botão verde. Você o apertaria?

Não apertar o botão verde é muito semelhante ao apertar o botão vermelho. Se você apertar o botão vermelho, você recebe 100 reais, enquanto oito crianças estão expostas ao risco mortal da malária. Da mesma forma, se você não apertar o botão verde, você recebe 100 reais, enquanto oito crianças ficarão expostas ao risco mortal de pegar malária. Esta troca — colocar 100 reais acima dos interesses de oito crianças em evitar a malária — é o que precisamente faz parecer que apertar o botão vermelho é tão problemático. Portanto, se você não apertaria o botão vermelho, apertar o botão verde deve ser a escolha mais lógica. Ao apertar o botão verde, você renuncia a 100 reais, mas poupa oito crianças do risco mortal da malária. Isto deveria ser levado a sério, particularmente se você é o tipo de pessoa que nunca apertaria o botão vermelho.

Autor: Adriano Mannino

Argumento 3

Há poucas coisas com as quais praticamente todos concordam. O valor em ajudar ao próximo é uma dessas poucas coisas. Os filósofos são famosos por serem briguentos e concordarem em muito pouco. Mas em uma pesquisa com filósofos dedicados ao estudo da ética, 91% responderam que uma pessoa em situações normais deveria doar para a caridade. 96% destes filósofos afirmaram ter doado no ano passado.

Quase todas as tradições religiosas também estão de acordo. Para os cristãos, a caridade é uma das sete virtudes. Na bíblia, em João 3:17: se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como o amor de Deus permanece nele?

Para os muçulmanos, a caridade obrigatória (Zakat) é um dos cinco pilares do Islã. Há também a caridade voluntária (Sadaqah) que vai além da obrigação e é por isso também elogiada. Também no judaísmo existe o conceito de Tzedakah, que se traduz literalmente por “retidão”, mas que muitas vezes se refere à caridade. A doação não seria apenas um ato de benevolência, mas um dever que se tem que cumprir.

O público também concorda: de acordo com a Charities Aid Foundation, cerca de 88% das pessoas no Reino Unido fizeram pelo menos uma ação beneficente no ano passado. Nos EUA, 86% dos entrevistados acreditam que é importante doar tempo e dinheiro para as organizações.

A pobreza extrema é definida como tendo que viver com menos de 5 reais por dia. É frequentemente marcada pela falta de alimentos adequados, água potável e medicamentos básicos. Em 1980, mais de 40% da população mundial vivia nessa extrema pobreza. Hoje, apenas 10% estão nessa situação. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida global aumentou em mais de 10 anos.

Sendo esta pobreza tão extrema, também é muito barata de ser consertada: 50 reais a mais para nós seria muito bom, mas muitas vezes nem sequer pagaria a conta em um restaurante. Mas também poderia comprar 2 mosquiteiros de longa duração para prevenir a malária, ou desparasitar 15 crianças.

Em conclusão, dado que:
1-O ato de doar é visto como quase unanimemente algo bom de ser feito e
2-Pode fazer uma diferença maior para os mais pobres do mundo

Você sem dúvida deveria pensar em doar para o combate a pobreza extrema.

Autor: Julius Hege

Argumento 4

A vida de uma pessoa é o produto de suas escolhas.
Ao acabar de ler essa mensagem você terá uma escolha a fazer: doar para uma organização ou seguir rolando a barra de mensagens ? Os filósofos pensaram em várias razões pelas quais doar é a escolha certa a ser feita hoje, por isso vou lhes falar sobre elas. Mas, em última análise, a escolha é sua. Você deve se sentir bem com qualquer escolha que fizer, mas primeiro, leve algum tempo para pensar sobre por que doar pode ser a melhor opção.

Doar faz mais “bem” do que usar o dinheiro para si mesmo.
Alguns filósofos pensam que devemos procurar maximizar os bons resultados no mundo, mesmo que às vezes isso signifique que as pessoas individualmente não obtenham o que desejavam. Isto é chamado de utilitarismo. Um exemplo desta abordagem é que é uma boa idéia fazer um remédio que possa salvar 1 milhão de pessoas em vez de um que só poderia salvar 1 pessoa. Você tem a oportunidade de dar dinheiro a uma organização que ajuda um grande número de pessoas. Estes filósofos diriam que isto deveria ser priorizado ao invés de gastar, digamos, 50 reais, consigo próprio. Mesmo que possa ser doloroso não ter 50 reais em sua própria vida, se “desapegar” deste valor é a coisa certa a fazer “para o bem maior”.

O altruísmo é em si mesmo um “bem”.
Os filósofos também pensam que devemos fazer escolhas que em si mesmas são morais. Esta é a base de muitos códigos de ética religiosos e não-religiosos. Uma coisa que todas as religiões e códigos de ética concordam é que doar é uma coisa boa a fazer. Optar por doar hoje significaria que você está fazendo uma escolha que se alinha com o que diversos seres humanos, ao longo de séculos, acreditam ser uma coisa boa de se fazer.

Atos de altruísmo podem criar uma cultura que encoraja outras pessoas a fazerem coisas boas.
Tanto psicólogos como filósofos têm demonstrado que doar é contagioso. As pessoas que pensam que outras pessoas doam muito dinheiro também são mais propensas a doar. Isto cria uma cultura, um “efeito onda”, no qual uma doação leva a mais doações. Portanto, se você doar hoje e contar isso a outras pessoas, você está criando uma cultura que não só alcançará uma coisa boa com sua doação, com também aumentará as coisas boas que acontecem no mundo. Você pode fazer algo muito bom ao fazer uma doação hoje.

O altruísmo é bom.
Finalmente, filósofos e psicólogos têm demonstrado que doar é bom, o que significa que você pode sentir orgulho, alívio e alegria ao doar hoje. Os psicólogos sabem que estes sentimentos podem melhorar seu bem-estar e alguns filósofos diriam que estes sentimentos trazem sentido à sua vida e são metas importantes a se perseguir. Deste modo, se optar por doar hoje, fará o bem não apenas para outras pessoas, mas também fará bem para você.

Espero que estas ideias o façam pensar sobre as consequências poderosas e positivas da escolha de doar hoje. Obrigado por seu tempo.

Autor: Erik Nook

Argumento 5 — O vencedor

Muitas pessoas nos países pobres sofrem de uma condição chamada tracoma.
O tracoma é a principal causa de cegueira evitável no mundo.
O tracoma começa com bactérias que entram nos olhos das crianças, especialmente das crianças que vivem em lugares quentes, com muita poeira e pouca água, geralmente onde também a higiene é difícil de ser mantida.

Se não for tratada, uma criança com bactérias de tracoma começará a sofrer de coceiras constantes nos olhos, sua visão começará a ficar embaçada e gradualmente se tornará cega, embora este processo possa levar muitos anos.
Existe um tratamento muito barato que cura essa condição antes que a cegueira se desenvolva. Com apenas cerca de 100 reais, doados a uma organização altamente eficaz, você pode evitar que alguém fique cego mais tarde na vida.

Quanto você pagaria para evitar que seu próprio filho ficasse cego? A maioria de nós pagaria $25.000, $250.000, ou até mais, se pudéssemos pagar. O sofrimento das crianças nos países pobres deve importar ao menos mais de um milésimo do sofrimento de nosso próprio filho. É por isso que é bom apoiar uma das organizações altamente eficazes que estão combatendo a cegueira causada pelo tracoma e precisam de mais doações para alcançar mais pessoas.

Autores: Peter Singer e Matthew Lindauer

Tradução e Adaptação: Fernando Moreno

Instituto Dara: há mais de 25 anos combatendo a pobreza no Brasil

Uma metodologia pioneira para a reestruturação de famílias de crianças em risco social

Logo que começamos as atividades da doebem, conhecemos uma organização social brasileira que se destacava: o Instituto Dara, chamado na época de Saúde Criança. Fundada em 1991 pela Dra. Vera Cordeiro, a organização desenvolveu e trabalha desde então com uma metodologia pioneira de reestruturação de famílias de crianças provenientes de unidades públicas de saúde.

“Ao atender os pacientes na pediatria do hospital, Dra. Vera percebeu que o ato médico não se completava. Conseguia tratar a doença, mas as crianças voltavam para casas insalubres, com pais muitas vezes desempregados, sem condições de dar os cuidados adequados após a alta hospitalar. Estava diante de um círculo vicioso: miséria, internação, alta, reinternação e muitas vezes morte.”

O que mais nos chamou a atenção quando nos aprofundamos na análise do trabalho realizado pela Associação foi a parceria com a Universidade de Georgetown para a realização de uma avaliação de impacto. O resultado é positivo, no médio e longo prazo, no número de reinternações e na qualidade de vida das famílias atendidas. Conheça mais sobre a pesquisa (sumário em português / estudo na íntegra, em inglês).

O que segue é uma entrevista que realizamos com a equipe de Captação de Recursos e Comunicação do Instituto Dara, em agosto de 2017. Como a organização na época ainda se chamava Saúde Criança, optamos por manter a redação original.

Como o Saúde Criança surgiu? Como foi desenvolvida a metodologia e como é a sua atuação hoje?

A Associação Saúde Criança (ASC) foi fundada em 1991 pela Dra. Vera Cordeiro, médica e clínica geral, com especialização em Psicossomática, que trabalhou por 20 anos no Hospital da Lagoa.

Ao atender os pacientes na pediatria do hospital, Dra. Vera percebeu que o ato médico não se completava. Conseguia tratar a doença, mas as crianças voltavam para casas insalubres, com pais muitas vezes desempregados, sem condições de dar os cuidados adequados após a alta hospitalar. Estava diante de um círculo vicioso: miséria, internação, alta, reinternação e muitas vezes morte.

O Programa Aconchego acolhe responsáveis para a discussão de questões importantes.

A frustração diária a levou a criar um movimento dentro do hospital e junto à sociedade civil para fundar, em 25 de outubro de 1991, a Associação Saúde Criança que aborda a real causa de muitas das doenças tratadas em hospitais públicos: a miséria.

Ouvindo famílias que viviam em situação de extrema vulnerabilidade com crianças internadas, criou junto com voluntários, profissionais de saúde e instituições nacionais e internacionais, ao longo dos anos, uma metodologia social, pioneira e revolucionária.

Quais são os principais resultados da organização até hoje? Quais são os principais indicadores de sucesso?

Em 25 anos, a Associação Saúde Criança atendeu diretamente mais de 60.000 pessoas. Como resultado desse trabalho, foi constatado um aumento de 57% na renda familiar. O número de reinternações das crianças após a participação da criança e de sua família no programa foi reduzido em 58% e houve uma significativa melhora na saúde das crianças atendidas.

Qual principal desafio da ASC para a manutenção das atividades?

A captação de recursos.

Como é o monitoramento dos beneficiários no longo prazo. Depois que param de prestar serviços a família eles fazem alguma entrevista 1, 2, 5, 10 anos depois?

Os resultados de longo prazo do nosso trabalho foram comprovados por professores do Departamento de Políticas Públicas da Universidade de Georgetown (Washington — EUA). A pesquisa mostrou que as famílias assistidas, mesmo cinco anos após a saída do Saúde Criança, continuam a melhorar as suas condições de vida de forma clara e sustentável. Leia mais aqui.

Programa Profissão oferece diversos cursos de acordo com interesses e habilidades dos membros da família.

Você pode contar a história de uma família que passou pela ASC? Como a ASC trabalhou na vulnerabilidade social?

Rosevânia é um exemplo de superação e força. Ela viu a filha, Andressa, de seis anos, adoecer e ficar com sequelas por causa da demora de um diagnóstico médico. No entanto, deu a volta por cima e hoje se prepara para receber alta da Associação. Há três anos no Saúde Criança, Rosevânia é conhecida pelas outras mães, funcionários e voluntários da instituição como Rose. Ela e a filha foram encaminhadas para a instituição pelo Hospital da Lagoa, quando Andressa teve meningite aos dois anos e dez meses de idade.

A criança, que era saudável, começou a ficar com a saúde em risco quando começou a ter febres constantes. Foi levada a diversos hospitais, mas ninguém conseguia identificar o que a menina tinha, até ela ser transferida para o Hospital da Lagoa, onde já entrou tendo que ser entubada às pressas. Lá, os médicos diagnosticaram tuberculose e meningite. A demora da descoberta deixou sequelas em Andressa, que hoje é cadeirante, tem comprometimento neurológico e sofre de encefalite, epilepsia, luxação no quadril e paralisia cerebral.

A doença da menina mudou completamente a vida da mãe. Na época se viu obrigada a parar de trabalhar como diarista para cuidar da filha em tempo integral. No início, Rosevânia ainda era casada com o pai da criança, no entanto, um ano após a internação de Andressa, o casal se separou e ele saiu de casa. Mesmo construindo uma nova família, o pai continua acompanhando o crescimento da filha indo visitá-la de três a quatro vezes por semana, além de pagar pensão e sempre ajudar como pode.

A partir daí, a Rose passou a contar com a família e amigos. Inicialmente, a ex-patroa a ajudou mesmo após seu desligamento do serviço. Depois, ao entrar no Saúde Criança, ela se sentiu amparada. “Quando a minha filha ficou doente, eu fiquei sem rumo, sem saber o que fazer, e foi aqui que me acolheram. Eles me ajudaram com remédio, leite, fralda, cesta básica, alimentação e com o curso profissionalizante. Eu me formei em dois módulos de culinária em 2015 e hoje, graças a Deus, faço bolos e outras coisas para vender”, contou.

Agora, mãe e filha se preparam para se despedirem da instituição. Prestes a receber alta, a cozinheira afirma se sentir preparada para seguir em frente e muito mais segura. Graças à nova profissão ela garante uma renda, além do benefício de Andressa, que é muito pouco. Desde que começou a produzir doces e salgados para festas, Rose vê suas encomendas aumentarem cada vez mais. Segundo ela, em janeiro, dois finais de semana lhe renderam três bolos e mais de 800 salgadinhos.

Querida por todos, a mãe de Andressa admite já sentir falta do Saúde Criança. Em todo tempo que passou aqui ela ainda conheceu sua melhor amiga, Juliana, que também é assistida pela Associação. “Por todo esse tempo, isso aqui representou tudo na minha vida. Estou até triste por ter que sair, é difícil, sabe? Eu vou ter que saber como me virar sozinha de alguma forma. Agora também vou ter que ver como que eu vou fazer pra conseguir os remédios, porque são caros, mas já me ajudaram demais, né? Está na hora de seguir”, afirmou.

Quais são os principais fatores que levaram a ASC a ser reconhecida como a organização não governamental mais influente da América Latina? Quais recomendações vocês dariam para outras organizações do terceiro setor?

Os principais critérios são transparência, impacto social, sustentabilidade e inovação. Nós recomendamos estar com a prestação de contas em dia e fazer auditoria externa anualmente.

O Instituto Dara foi a primeira organização recomendada pela doebem. Você pode realizar uma doação através da nossa página.

Este post foi escrito por Elisa Mansur e comentado por Guilherme Samora

Você pode fazer a diferença… hoje!

Fatos e dicas sobre doações individuais.

Bill Gates. Warren Buffett. Elie Horn. Jorge Paulo Lemann.

O que eles têm em comum? Tirando o fato de serem bilionários e terem mais de 60 anos, todos eles estão ativamente envolvidos com atividades filantrópicas, criando organizações sociais ou doando uma parte considerável de suas fortunas para instituições de caridade.

‘The Giving Pledge’: compromisso de bilionários e milionários ao redor do mundo de doar parte de suas fortunas

Muitas vezes, manchetes que anunciam o fato de que algum bilionário ou milionário decidiu doar milhões para uma causa social fazem com que as pessoas pensem que as suas doações, comparadas com as cifras milionárias, não fariam diferença alguma. E em último caso, isso leva à decisão de não doar.

Entretanto, não vamos tirar conclusões precipitadas, pois estão faltando informações sobre o verdadeiro cenário das doações. A verdade é que o total de doações de pequenos doadores é muito maior do que a dos grandes filantropos e empresas.

Surpreso? Então, a doação de pequenos doadores representou quase ¾ das doações totais nos Estados Unidos em 2014. Veja abaixo!

Claramente, existem fatores históricos e culturais diferentes no Brasil, podendo levar a um cenário diferente no nosso país. Porém, o ponto é claro: o poder dos doadores individuais é muito grande. Concordamos que é extremamente importante conhecermos os grandes doadores, que servem de exemplo para nossa decisão de ajudar, mas são doações e contribuições como a sua que fazem a maior diferença.

A nossa conclusão é que, ao contrário do que possa parecer muitas vezes, você não precisa esperar até ter muito dinheiro ou estar em idade avançada para doar. Você pode doar e fazer a diferença hoje!

Por isso, compartilhamos abaixo algumas dicas para você começar hoje com o hábito de doar:

  1. Busque organizações sérias, nas quais você confia e conhece o impacto positivo. Nós, da doebem, buscamos as melhores oportunidades de doação no Brasil com base em evidências, como você poderá conferir em nosso site.
  2. Faça um pequeno “compromisso” (assim como o Bill Gates e o Warren Buffett fazem através do ‘Giving Pledge’) de doar todo mês um pequeno valor, pode começar com R$10 ou R$20 e ir aumentando conforme sua capacidade.
  3. Reveja periodicamente para quais organizações você acha melhor doar. Isso faz com que você aprenda mais sobre outras organizações e seus trabalhos… E promova cada vez mais impacto positivo.
  4. Compartilhe sua doação com seus amigos e incentive-os a doar também!

Se quiser saber mais, visite o nosso site, a nossa página no Facebook ou inscreva-se no nosso mailing list. E continue nos acompanhando aqui para mais novidades! Este post foi escrito por Guilherme Samora, revisado por Elisa Mansur e comentado por Leo Arruda.

Faça o bem da melhor forma!

As cinco perguntas do livro “Doing Good Better”

Sabemos que a decisão de como ajudar não é uma decisão fácil, pois temos vontade de resolver o maior número de problemas possível: “Que tal doar para pesquisas de cura do câncer? Ou promover o ensino básico para todos? E se pudéssemos garantir uma melhor distribuição de alimentos? Isso sem falar nas pessoas que não tem nem onde morar…”.

Mas a verdade é que temos recursos limitados, tanto em termos de tempo quanto de dinheiro, e assim, precisamos fazer uma escolha sobre como ajudar.

“Precisamos tomar decisões sobre quem escolhemos ajudar, porque o erro de não decidir é o pior erro de todos.” — William MacAskill, Doing Good Better

Por isso, hoje queremos compartilhar com vocês as cinco perguntas que você deve fazerno momento de decidir quem vai ajudar e como fará a diferença. Esse conteúdo foi adaptado do livro “Doing Good Better”, uma das principais leituras da doebem.

Confira abaixo!

1. Quantas pessoas serão beneficiadas? E qual o tamanho deste benefício?

Quanto mais, melhor! Esta primeira pergunta é simples, mas também muito importante. A princípio, quanto mais pessoas conseguirmos beneficiar, maior será o impacto, não é? Assim, precisamos saber quantas pessoas são afetadas pelos problemas que queremos resolver e, consequentemente, quantas vidas podemos salvar ou melhorar.

William MacAskill, autor do livro "Doing Good Better", falando sobre a melhor alocação de recursos no Effective Altruism Global Summit 2016 em Berkeley, na Califórnia

2. Essa é a coisa mais eficiente que eu posso fazer?

Você sabia que os mesmos recursos (o mesmo número de horas e a mesma quantidade de dinheiro) podem promover até 500 vezes mais impacto positivo?

Ao decidir ajudar, a diferença entre um bom uso do dinheiro e um ótimo uso do dinheiro é enorme. Assim, a pergunta não deveria ser apenas se seu dinheiro está sendo bem usado, mas sim se ele está sendo usado da melhor maneira. Afinal de contas, quando investimos o nosso dinheiro em ações e fundos, buscamos o maior retorno possível, não é? Por que seria diferente quando queremos ajudar?

Imagine que você quer reduzir o número de faltas na escola e existam quatro soluções para este problema: transferência de renda/dinheiro condicionada à presença na escola, bolsas de estudos, uniforme grátis e desparasitação. Qual você acha que terá o maior impacto? A conclusão, de acordo com pesquisas realizadas, é que uma destas iniciativas proporciona resultados muito melhores!

Estudo realizado por pesquisadores do JPAL

Veja que trabalhar no tratamento de parasitas (‘deworming’) em crianças proporciona um aumento mais de 60 vezes maior (13.9 anos) na frequência escolar do que a transferência de renda (0.2 anos). Já saberíamos qual intervenção escolher, não é?

3. Esta área é negligenciada?

A quantidade de atenção que um determinado problema ou área está recebendo é outro ponto que precisamos levar em consideração. A depender disso, a ajuda adicional — um conceito chamado de “utilidade marginal” — poderá fazer mais ou menos diferença.

Funciona assim: se uma área recebe muita atenção da mídia e doações frequentes, por exemplo, ao fornecer recursos adicionais, a diferença não será tão grande. Por outro lado, se a causa ainda é negligenciada, não recebe muita atenção ou recursos, as oportunidades de fazer a diferença são muito maiores.

Uma analogia: se tenho um brinquedo para doar, em qual dos dois casos terei maior impacto?

Em suma, nossos recursos devem ser destinados ao lugar que fará a maior diferença e não necessariamente ao problema que está tendo maior exposição e atenção no momento.

4. Do contrário, o que aconteceria?

Não temos bola de cristal e nem a capacidade de ser extremamente preciso ao trabalhar com hipóteses, mas para saber o impacto que estamos causando, precisamos saber o que aconteceria de outra forma, caso não agíssemos. Este é o famoso “counterfactual”.

Se colocarmos em uma fórmula matemática, o nosso impacto seria medido assim:

SEU IMPACTO POSITIVO = O QUE ACONTECE COMO RESULTADO DE SUAS AÇÕES — O QUE ACONTECERIA NA AUSÊNCIA DE SUAS AÇÕES

Veja um exemplo: para obter água para suas famílias, mulheres de vilas ao redor do mundo enfrentavam bombas de água que funcionavam com um moinho de vento ou manualmente. Mas às vezes não havia vento ou o trabalho era muito cansativo! Com o objetivo de ajudar, eis que surge uma invenção: o PlayPump, um carrossel para as crianças brincarem que, ao mesmo tempo, bombeava água para um tanque. As mulheres não iam mais ter que se preocupar! A solução ficou extremamente popular e recebeu a atenção do World Bank, AOL, UNICEF, Bill Clinton, Jay-Z e milhões de dólares de investimento. Um sucesso, certamente!

Será? Com o tempo, percebeu-se que o PlayPump precisava de força constante para funcionar de forma apropriada, e as crianças se cansavam rapidamente de brincar. Além disso, algumas delas ficavam enjoadas ou até mesmo caiam e se machucavam. Acredita que em algumas vilas as crianças começaram a ser pagas para brincar no PlayPump? No final das contas, as mulheres que precisavam movimentar o carrossel, falando que, na verdade, não gostavam da solução e preferiam muito mais a bomba manual.

Viu só? Por causa disso, precisamos nos perguntar: o que aconteceria se eu não tivesse feito nada? Muitas vezes podemos ficar surpresos que intervenções podem trazer um resultado pior do que se não tivéssemos feito nada, pois como o livro mesmo levanta: boas intenções podem facilmente trazer péssimos resultados! A decisão de ajudar é algo de extrema importância e precisa ser pensada com cuidado.

5. Quais são as chances de sucesso?

Por último, mas não menos importante, vamos pensar sobre o valor esperado de determinada intervenção ou programa, ou seja, qual o seu resultado esperado. Para isso, há duas coisas que precisam ser medidas:

E o nosso impacto é o produto destes dois fatores!

Dessa maneira, uma atividade com baixa probabilidade de sucesso, mas com alto valor de sucesso pode ser escolhida em detrimento de uma atividade com altíssima probabilidade de sucesso, mas com um valor baixo de sucesso.

“[Nestes casos], a chance de você ser a pessoa que faz a diferença é bem pequena, mas se você fizer a diferença, ela será realmente impactante.” — William MacAskill, Doing Good Better

Parece muita coisa pra se pensar, não é? Pois é mesmo! Queremos ressaltar que sabemos que a decisão de como ajudar não é fácil — vamos ser francos, é definitivamente difícil. Nem sempre temos a resposta exata e mais precisa para tudo, mas ao embasar nossas decisões nestes pontos, já estamos potencializando nosso impacto de forma inimaginável!

“Encontre a instituição de caridade que fará a maior diferença com cada dólar que receberem” — William MacAskill, Doing Good Better

Precisamos combinar o coração e a razão para tomar decisões que proporcionem o maior impacto positivo ao nosso redor!

O autor de “Doing Good Better”, inspiração para este post e para a doebem, é William MacAskill, que tivemos o prazer de conhecer durante o Effective Altruism Global Summit 2016 em Berkeley, Califórnia. Além de ser professor de filosofia em Oxford, é também co-fundador do Effective Altruism MovementGiving What We Can e 80,000 Hours.

Se quiser saber mais, explore mais o nosso site, a nossa página no Facebook ou inscreva-se no nosso mailing list. E continue nos acompanhando aqui para mais novidades! Este post foi escrito por Elisa Mansur, revisado por Guilherme Samora e comentado por Renata Pereira e Yohanna Maldonado.

Você está mesmo ajudando?

Sobre filantropia e doações efetivas

A verdade é que nos sentimos bem ajudando e causando impacto positivo — seja através de um trabalho voluntário, uma doação ou simplesmente um ato de bondade no dia a dia. E por essa vontade inerente ao ser humano, muitas vezes ouvimos as perguntas: “Como posso ajudar?” ou “O que posso fazer para contribuir também?”. Mas será que nos perguntamos se estamos ajudando da melhor maneira?

Só no Brasil, há mais de 400 mil organizações sem fins lucrativos que dependem de indivíduos, governo e empresas privadas como fontes de recursos para causarem o seu impacto positivo no país. Assim, com tantos problemas para serem resolvidos e tantas organizações, como decidir qual ajudar?

A criação da doebem

Com foco na ajuda através de doações financeiras, a plataforma online tem a missão de ajudar as pessoas a doarem de forma eficiente, trazendo um impacto positivo maior. Através de uma metodologia específica de análise de ONGs, respondemos a uma única pergunta: “Qual é a melhor forma de ajudar?”.

Vamos te mostrar como:

A partir de uma listagem inicial das organizações sem fins lucrativos, a doebem analisa de forma rigorosa as ONGs com maior potencial de impacto, tendo como base os seguintes critérios:

Após esta análise, a doebem pode recomendar a organização para que potenciais doadores façam suas contribuições financeiras através da nossa plataforma. Isso significa que esta ONG trará o maior impacto para o valor doado. Por outro lado, após a avaliação da organização, a doebem pode optar por não recomendá-la em sua plataforma.

Assim, ao doar para uma destas ONGs recomendadas, o doador não apenas poderá confiar na seriedade e profissionalismo da organização, como também saberá que a sua ajuda terá o maior impacto positivo possível.

Se quiser saber mais, explore o conteúdo em nosso site, a nossa página no Facebook ou inscreva-se no nosso mailing list. E continue nos acompanhando no blog para mais novidades! Este post foi escrito por Elisa Mansur e revisado por Guilherme Samora.